<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-19109640</id><updated>2011-04-21T19:23:14.439-03:00</updated><title type='text'>Histórias Curtas</title><subtitle type='html'>Fundamentalmente, uma ferramenta para gerenciar resíduos.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>André Ferrer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>27</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19109640.post-117513701279128713</id><published>2007-03-29T00:52:00.000-03:00</published><updated>2007-03-29T01:59:03.533-03:00</updated><title type='text'>O NOME DAS COISAS</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/3535/1885/1600/349439/dodo_cachimbo_resize.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/3535/1885/200/20517/dodo_cachimbo_resize.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bom sabor de uma crônica depende de alguns pontos bastante claros e informativos que, distribuídos de maneira estratégica nos primeiros parágrafos do texto, devem conduzir o leitor diretamente ao orgasmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em segundo lugar, acho que a redação de uma boa crônica não deve ser muito diferente do processo responsável pelo nascimento de bons textos narrativos em qualquer gênero. Basta! Chega de colocar a crônica perto do chão e o romance nas barbas de Deus!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pertencer a este ou àquele gênero não constitui “o” critério classificatório da qualidade de um texto. Há peças publicitárias de doze, oito ou até três palavras que, a despeito disso, derrubam romances de 500 páginas. Aliás, a palavra, o respeito e o desrespeito bem dosados que se poder ter em relação às palavras, é imprescindível. Eis uma das regras do bom escritor! Lembremos René Magritte, que não era escritor, mas cuja arte, a pintura, polemizou sobre a assustadora independência existente entre a palavra, designador, e o objeto, designado. “Um objeto”, diz o pintor, “não está entranhado em seu nome de forma que não possamos encontrar um nome melhor para ele”. É de Magritte o célebre desenho de um cachimbo acompanhado da seguinte expressão: “Isto não é um cachimbo” (Cice n’est pas une pipe).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escritores e leitores, portanto, têm a obrigação de “realizar” o significado e o não-significado de cada palavra num texto. Um bom texto, a propósito, deve ser traspassado exatamente por esse espírito em todos os níveis de significação, do mais profundo ao mais superficial, evitando-se, a todo custo (mesmo que tal cuidado signifique a perda da própria vida), os excessos. Sendo assim, leitor amigo, não vá pensando que alimento a pretensão estúpida de esgotar o assunto numa única crônica!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim: isto aqui é uma crônica! E se a crônica, para ser crônica, deve ter uma pitada de atualidade comesinha e passageira, lá vai então a seguinte marcação: Cumbica, pista fechada, suspense geral diante de um testa-de-ferro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isto não é um atraso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como assim?! Não é possível! Se não é um atraso, criatura, do que se trata então?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A indignação repercutiu no grupo de passageiros, das pessoas que estavam a um passo do funcionário da empresa de transportes aéreos até aquelas que, como o professor de História da Arte, encontravam-se na retaguarda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se não é um atraso, evidentemente, não pode ser um cachimbo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silêncio. Como ninguém era tão especializado em Arte naquele grupo, a sofisticada ironia do professor nada inspirou além de uma rápida perplexidade. O tipo de estranhamento que, entre não-iniciados, jamais desperta interesse e reduz professores de Arte com pós-doutoramento em René Magritte a imbecis perfeitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da pausa, vinte pescoços giraram e quarenta olhos estavam de novo apontados na direção do testa-de-ferro que, instantaneamente, desaparecera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quase meia-noite, nosso vôo era para as dez e o engomadinho aparece para nos dizer que não se trata de um atraso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O pior de tudo, pessoal, é esse coroa! Justo na frente do empregado da companhia, sai com esse comentário!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isso mesmo! Do lado de quem você está heim criatura?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Distraiu a gente! Perdemos o cara!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tenha santa paciência!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve dispersão. Cada um procurou o seu canto para remoer o “não-atraso”. O professor, pós-doutorado em Magritte, sacou o note-book da mala e prossegui com o que estava fazendo momentos antes de alguém decidir, por ele e pelos outros, que iriam reclamar no guichê da companhia: uma lista de “prioridades” a serem consideradas durante a redação do seu próximo artigo a respeito do pintor Belga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para tanto, teve mais duas horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito bem. No caso de uma crônica, isto é, de uma crônica saborosa que desejamos criar, há também as seguintes “prioridades”: explicar antecipadamente todas as passagens complexas, arredondar todas as linhas de raciocínio e saber exatamente quando terminar a história. E não nos esqueçamos de que é necessário, ainda, “realizar” ou “subverter” o nome das coisas até a última chance, pois muitos gatos encontram belos pulos no ato da revisão, mesmo que isso acabe gerando insuportáveis desconfortos no futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah! Teve uma coisa que eu guardei para o final! É sobre Guarulhos e a grande comédia na qual a aviação comercial brasileira se tornou: a sapiência indígena, vale dizer, há muito já chamava o lugar de “Cumbica”, “Nuvens Baixas” no tupi-guarani. E não foi justamente lá que os branquinhos acharam de construir um aeroporto?!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19109640-117513701279128713?l=historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/feeds/117513701279128713/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19109640&amp;postID=117513701279128713&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/117513701279128713'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/117513701279128713'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/2007/03/o-nome-das-coisas.html' title='O NOME DAS COISAS'/><author><name>André Ferrer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19109640.post-115976391145499166</id><published>2006-10-02T01:33:00.000-03:00</published><updated>2006-10-02T01:38:31.466-03:00</updated><title type='text'>PROPORCIONALIDADES</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3535/1885/1600/Vim%2C%20vivi%20e%20votei%21%21%21.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3535/1885/400/Vim%2C%20vivi%20e%20votei%21%21%21.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;por André Ferrer &lt;/strong&gt;- Saí de casa para votar neste domingo. A fila da secção vizinha estava grande. Sorte minha. Menos de 35 minutos entre a minha casa, o colégio onde a zona eleitoral funciona e a minha casa. Numa cidade pequena, de fato, liquidar rapidamente com esse tipo de coisa fica muito longe de constituir uma dádiva, mas, assim mesmo, regressei felicíssimo, gabando-me da boa sorte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes do “passeio”, tinha navegado na web: “As mulheres respondem por 51,53% dos votos nas eleições de hoje, seguindo tendência já registrada em anos anteriores“. Carla Rodrigues, articulista do IG, que divide o espaço do No mínimo com outros escribas, também destacava uma outra informação obtida nas últimas pesquisas de opinião. E foi disso que me lembrei, no colégio, enquanto aguardava e contemplava a lentidão do secção ao lado. Segundo Rodrigues, a maioria dos eleitores indecisos para o escrutínio deste 01 de outubro encontrava-se entre as mulheres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pode entrar! - disse-me, assim, o mesário da secção onde voto, a 77.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda na porta, observei um sujeito que se acomodava na ponta da fila vizinha. Um pobre homem sem sorte, ou pior, uma criatura completamente desavisada sobre o que era, naquele domingo e naquele local, o verdadeiro significado da expressão “ter boa sorte”. Acabara de passar por mim, dizendo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas que sorte! Na minha fila, só tem mulher!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Umas quinze, pelo menos. Enquanto na 77, antes de mim, havia um senhor, que, pela idade, nem precisava ter saído de casa, e duas mulheres, amigas tão extrovertidas e inseparáveis, que a boca do povo já comentava de longa data o caso delas. Cidade pequena... Pode-se até dizer que, em rincões assim, a velocidade do voto, a inverossimilhança dos boatos e a feminilidade são valores inversamente proporcionais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19109640-115976391145499166?l=historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/feeds/115976391145499166/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19109640&amp;postID=115976391145499166&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/115976391145499166'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/115976391145499166'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/2006/10/proporcionalidades.html' title='PROPORCIONALIDADES'/><author><name>André Ferrer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19109640.post-115759606079094533</id><published>2006-09-06T23:22:00.000-03:00</published><updated>2006-09-06T23:27:40.803-03:00</updated><title type='text'>Tragédia digital</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3535/1885/1600/orkut-barco.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3535/1885/320/orkut-barco.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;por André Ferrer - Garotos, garotas e computadores conectados. A maioria dos pais fazem queixas intermináveis a esse respeito. Cristiano, 17, quadruplicou o tempo da sua clausura diária graças a uma descoberta na internet: o nascimento on-line. Juliana e Fernando, 40 e 45, sequer desconfiaram que o filho aprontava no computador. A vida de todos mudaria naquela casa de classe média.&lt;br /&gt;Foram meses de planejamento, ajustes e divulgação. Listas de e-mail, scraps e spans davam conta de que no dia tal do mês tal, diante da webcan, Cristiano viria ao mundo de maneira sumária. “Ironicamente“, apregoava Cris num desses panfletos aterrorizantes, “sem a participação de meus pais como aconteceu há 17 anos“. &lt;br /&gt;Juliana e Fernando, que respeitavam a privacidade do filho, não se retiravam da sala onde assistiam ao novíssimo Big Brother Brasil. Enquanto isso, a conspiração avançava no quarto com a resolução diária de alguns probleminhas de ordem técnica.&lt;br /&gt;“Como fazer?!” A maior de todas as perguntas gerou discussões e originou dezenas de comunidades no Orkut. Havia quem preferisse a cesariana. O parto normal era defendido com unhas e dentes pelos membros da Sociedade Brasileira de Pompoarismo Radical. Cinco meses antes, aliás, esse mesmo grupo incrivelmente atuante processara o Google. Alargar círculos, tal qual dizia o slogan do Orkut, não era uma idéia tão original assim. Círculos de amizade, anéis musculares ou esfíncteres davam no mesmo para um juiz como aquele. O caso de plágio não só reavivou a polêmica do Orkut, como preparou a detonação de uma bomba maior ainda: o nascimento de Cristiano, 17, que já tinha vencido quase todas aquelas fases consideradas “difíceis” pelos pais. “À beira da universidade!” - lamentou Juliana. “Tínhamos combinado que jamais nos meteríamos na criação dos nossos netos” - disse Fernando. “E agora?! Por nosso filho, repetiremos a mesma via crucis da criação!”&lt;br /&gt;No dia tal do mês tal, o capitão Jeremias Antunes, 25° Batalhão do Corpo de Bombeiros da capital, ordenou que seus homens arrombassem a porta do quarto de Cristiano. “Inacreditável!” - disse o homem para os repórteres. - “O que os jovens de hoje ainda têm para nos mostrar?! Encontramos o recém-nascido na cama, dormindo como um bebê... Isto é... Dormindo. E o computador ainda estava ligado!”&lt;br /&gt;Juliana, Fernando e Jeremias baixaram o vídeo na web. O capitão encontrou uma versão em Árabe. Sentia uma ponta de orgulho porque suas divisas apareciam e todo o mundo as admirava. Juliana e Fernando, naturalmente, por causa das fraldas, do choro madrugador e da febre assustadora, não se divertiam tanto como o bombeiro. Ele deixou o bigode crescer. Uma vizinha sua, que também baixou o arquivo na rede, foi visitá-lo numa preguiçosa tarde dominical. Achava-o ainda mais parecido com Omar Sharif.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19109640-115759606079094533?l=historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/feeds/115759606079094533/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19109640&amp;postID=115759606079094533&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/115759606079094533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/115759606079094533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/2006/09/tragdia-digital.html' title='Tragédia digital'/><author><name>André Ferrer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19109640.post-115224070155478041</id><published>2006-07-06T23:38:00.000-03:00</published><updated>2006-07-06T23:51:41.566-03:00</updated><title type='text'>ANIVERSÁRIO DE UM SITE E TANTO!!!</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3535/1885/1600/352006052014101915codigo.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3535/1885/200/352006052014101915codigo.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Farhenheit de palha &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;por André Ferrer -&lt;/strong&gt; A destruição de livros é o indicativo de que determinados temas contrariam censores e opressores. Na história da inteligência humana a serviço da igualdade, do esclarescimento e da liberdade muitas laudas alimentaram as fogueiras do terror e da repressão. Por outro lado, a resistência e a sobrevida dos ideais oprimidos revela um aspecto extraordinário nas lutas de todas as épocas: a associação da criatividade com a clandestinidade.&lt;br /&gt;Graças à criatividade, os clandestinos ganharam alternativas de ação mais efetivas e que, por dissimularem a exposição, ainda resguardavam-no do perigo. Pseudônimos, metáforas, mensagens subliminares: enfim, no século XVIII, um grupo de revolucioários ingleses e franceses chegaram a um suporte capaz de instruir o campônio mais remoto para o levante a ser promovido na Europa.&lt;br /&gt;A Enciclopédia de Rosseau, Diderot e Cia. não despertou a atenção das autoridades e, por muito tempo, garantiu a educação de simpatizantes que não residiam em Paris. Num inocente verbete, aprendia-se a preparar lanças e a disparar canhões, dentro, é claro, do mais legítimo espírito iluminista: esclarecer o homem para libertá-lo da opressão dos reis e dos papas.&lt;br /&gt;A criatividade conservou boa parte do nosso passado. Graças a ela, conhecemos valiosos documentos que nos chegaram milagrosamente ilesos de épocas anteriores ao domínio Romano sobre a Grécia, à invasão otomana da Península Ibérica, ao Nazismo, a Sarayevo e ao Iraque recente. Neste último exemplo, consta que inúmeros tratados de Avicena foram destruidos durante os ataques norteamericanos a Bagdá. Inúmeras outras obras, sem dúvida alguma, devem estar a salvo naquela cidade, completamente ilesas na estante de algum abnegado clandestino, que conseguiu a tempo converter a fornalha dos opressores em fogo de palha.&lt;br /&gt;É preciso, neste 01 de julho, escrever sobre abnegados e clandestinos criativos. Em pleno aniversário da Literatura Clandestina, é extremamente necessário escrever um editorial  sobre a sua capacidade de fazer a cultura perpetuar a despeito dos presidentes analfabetos, invejosos destrutivos e plagiadores cara-de-pau. Às vésperas do lançamento da Coleção Literatura Clandestina, torna-se imprescindível!&lt;br /&gt;É preciso, ainda, ressaltar o seguinte: na história da queima dos livros, os mais frequentes promotores do mau não são os ignorantes, mas os letrados! O erudito é o que mais manda destruir livros, quando no poder, pois ninguém melhor que ele sabe do perigo encerrado nas encadernações. Seja entre os habitantes de um país ou entre os autores de uma antologia de contos, a fagulha espreita. É preciso aumentar o time dos abnegados e equilibrar as forças entre a erudição destrutiva e a inteligência criadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATENÇÃO LEITORES!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O HISTÓRIAS CURTAS VAI VIRAR SITE!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O projeto está em fase de desenvolvimento e, em breve, proporcionará vários serviços para quem gosta de ler e escrever:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Publicação de textos no formato e-book;&lt;br /&gt;- Artigos originais escritos por ótimos colaboradores;&lt;br /&gt;- Publicação de textos diretamente no site: poesia, conto e crônica;&lt;br /&gt;- Venda de publicações próprias nos formatos eletrônico e convencional;&lt;br /&gt;- E muito mais!!! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AGUARDEM!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19109640-115224070155478041?l=historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/feeds/115224070155478041/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19109640&amp;postID=115224070155478041&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/115224070155478041'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/115224070155478041'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/2006/07/aniversrio-de-um-site-e-tanto.html' title='ANIVERSÁRIO DE UM SITE E TANTO!!!'/><author><name>André Ferrer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19109640.post-114908082541750019</id><published>2006-05-31T10:05:00.000-03:00</published><updated>2006-05-31T10:07:05.433-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3535/1885/1600/VR01.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3535/1885/400/VR01.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19109640-114908082541750019?l=historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/feeds/114908082541750019/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19109640&amp;postID=114908082541750019&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/114908082541750019'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/114908082541750019'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/2006/05/blog-post.html' title=''/><author><name>André Ferrer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19109640.post-114502922585677641</id><published>2006-04-14T12:31:00.000-03:00</published><updated>2006-04-14T12:47:17.286-03:00</updated><title type='text'>ESPECIAL DE PÁSCOA</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3535/1885/1600/inquisicao02.0.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3535/1885/320/inquisicao02.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;PRIMEIRA PESSOA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;por André Ferrer -&lt;/strong&gt; Chegaram às Américas, trouxeram espadas e dizimaram civilizações inteiras. Tudo em nome da salvação, essa propriedade legitimamente européia, rival do paganismo ameríndio, que tratou de dar as cartas num jogo tão maniqueísta quanto o “apartheid” bíblico dos anjos de Deus. Violência pontífice. Argumento sagrado para invasão, saque e matança.&lt;br /&gt;Que a colônia tenha códigos justos, tribunais incorruptíveis e representatividade popular em seus gabinetes! É isso que a metrópole agora anda exigindo. A hipocrisia é uma espécie de Sol. Debaixo dela, dificilmente a inovação aparece.&lt;br /&gt;Muito antes de o primeiro suíço aprender a tomar banho diariamente, os astecas já bebiam chocolate. Não duvido se já não possuiam algum sonho de perfeição política como a Democracia. Talvez bem melhor que o nosso; mais  completo, pelo menos, que os ideais hoje tropegamente perseguidos mundo afora, até (ou principalmente) no que se refere aos EUA de Paine e Franklin. A Democracia, esse verdadeiro “Shanadu” que, sob a clássica inspiração helênica, nasceu  no Parlamento Britânico, nem chega perto de alguns governos atuais! Daqueles, e justamente “daqueles”, que desejam obter urânio enriquecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3535/1885/1600/inquisicao01.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3535/1885/320/inquisicao01.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3535/1885/1600/torturas01.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3535/1885/200/torturas01.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CURTA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da sola dos nossos pés até a ponta-seca do grandioso compasso que desenhou a circunferência terrestre, há uma distância bastante superior à espessura da casca flutuante que nos apóia. Uma casca de ovo, diziam-me nas aulas de Geografia; imagem,  no mínimo, desconcertante, que ora extendo (graças ao meu ceticismo confesso) às outras áreas de sustentação deste mundo. Citei duas delas, a “Democracia” e a “Santidade”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;MAIS CURTA AINDA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Vaidade! Tudo é vaidade! – falou o Eclesiastes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19109640-114502922585677641?l=historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/feeds/114502922585677641/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19109640&amp;postID=114502922585677641&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/114502922585677641'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/114502922585677641'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/2006/04/especial-de-pscoa.html' title='ESPECIAL DE PÁSCOA'/><author><name>André Ferrer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19109640.post-114386037153080325</id><published>2006-03-31T23:56:00.000-03:00</published><updated>2006-03-31T23:59:31.543-03:00</updated><title type='text'>ESPECIAL: O Cosmonauta e a humildade</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3535/1885/1600/750.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3535/1885/320/750.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;por André Ferrer - É sintomático termos um Cosmonauta em vez de um Astronauta. Quando chegamos lá, é sempre no fim da festa. Na derradeira hora da xepa geral. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A regra, é claro, só não vale para o futebol e não valerá por vários e inúmeros anos de acordo com o andor da charrete. Garotos sonhadores, evasão escolar e papais “empresários” é o que temos de sobra neste país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos anos da Guerra Fria, um Astronauta vivo tinha lugar garantido no rol dos grandes heróis. Morto, subia aos céus e ficava ao lado do senhor Kenedy em pessoa. Cosmonauta, não. Era coisa menor. Tinha mais a ver com os vilões dos filmes de James Bond do que com o namorado da “gênia” Jeane do seriado. Astronauta inspirava o iniciante Kubrick, futuro diretor de “2001, uma odisséia no espaço“, bem como os universitários Lucas e Spielberg, que me dispenso de apresentar. Cosmonauta não guardava relação alguma com a Enterprise. Remetia ao misterioso isolamento da Sibéria onde hordas inteiras de Dimítrievitchs, Striêmovs e Tchierbátskis confabulavam contra o Capital e a Democracia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jamais entendi por que os russos chamam seus conquistadores do espaço de Cosmonautas e não de Astronautas como os norte-americanos. Por muitos anos, vale dizer, eu carrego esse mesmo tipo de dúvida terminológica, só que em relação aos evangélicos, que não rezam, mas oram. Em ambos os casos, no entanto, desconfio que seja pela simples necessidade de distinção entre concorrentes. Ou quem sabe a esquerda, na sua simplicidade mujique, sempre desejou conquistar o Cosmo. Nada mais nada menos do que o Cosmo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora nós! Finalmente chegamos lá! O espaço infinito como pano de fundo. A Terra, nosso continente, o Brasil... Nosso Cosmonauta vai dizer o que?! “A Terra é redonda! Redonda...” - Igualzinho a uma bola de futebol! - completaria o Presidente da República na sua verve comezinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por falar em imagens emblemáticas, vejamos Lula num retrospecto. Está em desfile, a Esplanada empinhocada em pleno 1° de Janeiro de 2002. Eis que então o Rolls-Royce presidencial estremece... Pula! E nesse ligeiro afastamento do solo, milhões de brasileiros pressentem, quando menos, o grande amor de um homem simples pelas alturas. O chofer e a mulher mais importante do país também desejam voar muito alto, bem alto, e alcançar a mesma altura estratosférica do Fome Zero, do crescimento galopante, da reforma agrária, enfim, daquele faustuoso plano de governo recém-aprovado através do voto direto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Realmente, tudo ficou elevado por aqui naquele 1° de Janeiro e, mais adiante, à bordo de um avião novinho em folha... Nem se fala! Em 2006, ano eleitoral, podemos dizer que o signo ALTURA ganhou importância máxima graças ao nosso... Cosmonauta. Isso mesmo. Chegamos lá. Temos um Cosmonauta. “Humildes” demais, ainda, para termos um Astronauta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19109640-114386037153080325?l=historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/feeds/114386037153080325/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19109640&amp;postID=114386037153080325&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/114386037153080325'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/114386037153080325'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/2006/03/especial-o-cosmonauta-e-humildade.html' title='ESPECIAL: O Cosmonauta e a humildade'/><author><name>André Ferrer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19109640.post-114298445808584820</id><published>2006-03-21T20:33:00.000-03:00</published><updated>2006-03-21T20:40:58.096-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3535/1885/1600/pena77.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3535/1885/320/pena77.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;PRIMEIRA PESSOA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;por André Ferrer &lt;/strong&gt;- Enviei um conto meu chamado “Como dois anéis de madeira” para Elenilson Nascimento, escritor e agitador cultural baiano, dono de uma generosidade e um faro especialíssimos! Um dia depois, não é que o homem aparece na minha caixa postal eletrônica e me convoca para escrever alguma coisa na orelha do livro “Contos Perversos” (ao qual, a propósito, a minha história supracitada terá a honra de comparecer)?!&lt;br /&gt;“O que você pensa dos escritores e da Literatura no Brasil atual?” Está certo Elenilson! Desenvolvo, a seguir, as minhas principais angústias com relação ao tema:&lt;br /&gt;Toda história, por mais espontânea e pouco elaborada, contém mensagens e, não raro, sequer o escritor percebe a obra recém-terminada em toda a sua profundidade. As idéias mais importantes e duradouras de um texto não são obra do autor, mas do leitor. É ele o verdadeiro construtor de significados. Por esta razão, o essencial, para mim, é que o contador de histórias de fato conte uma história e não se atenha exageradamente ao viés, ou seja, evite ao máximo a panfletagem. Um pouco de graça, uma pitada de escatologia e um traço de opinião, entre outros, podem ser, sim, elementos da boa Literatura, desde que o traço, a pitada e o pouco sejam respeitados. Enumerei essa tríade porque o excesso de um ou mais dos seus componentes vem sendo sistematicamente valorizado pelo mercado editorial e é aquilo que hoje mais me incomoda como leitor. Horroriza-me, ainda, o atávico fundo motivador desse tipo de desmedida: a crença de que se pode compensar (ou justiçar) alguém (o povo?!) por causa de todas as mazelas vividas neste país com palavrões, anedotas e realidade desbragada nas artes. Uma espécie de remorso das elites parece ter inculcado até mesmo nossos poetas de favela, pois eu vejo artistas publicados, televisionados e cinamatografados reproduzindo essa compensação estética em vez de criar uma estética fundamentalmente nascida nas ladeiras, bocas e desovas tão propaladas em suas obras. Como escritor, que é o resultado do leitor que fui e sou, resta-me a esquiva. O histrionismo, a linguagem chula e a tal Síndrome de Laranjinha e Acerola são alguns dos golpes a serem evitados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3535/1885/1600/Image16.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3535/1885/200/Image16.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CURTA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu conto selecionado para a coletânea “Contos Perversos”, organizada por Elenilson, é sobre o comércio ilegal de madeira e a exploração sexual infantil. “Como dois anéis de madeira”, portanto, trata de dois assuntos tremendamente difíceis de serem abordados segundo as diretrizes que estabeleci para mim, acima enumeradas. Foi, de fato, um desafio tê-lo iniciado, desenvolvido e amadurecido. Cheguei a perder o sono só de pensar que, talvez, estivesse produzindo uma dissertação no lugar de um conto. Depois, no entanto, já com a história um pouco mais encorpada, notei que havia conseguido embutir as idéias mais argumentativas nas ações, nos diálogos e nos monólogos interiores... Um alívio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;MAIS CURTA AINDA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não! Não se martirize numa noite como esta! É perfeitamente possível denunciar através de imagens e ações. O mostrar é sempre superior ao dizer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19109640-114298445808584820?l=historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/feeds/114298445808584820/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19109640&amp;postID=114298445808584820&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/114298445808584820'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/114298445808584820'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/2006/03/primeira-pessoa-por-andr-ferrer-enviei.html' title=''/><author><name>André Ferrer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19109640.post-114219347905572881</id><published>2006-03-12T16:54:00.000-03:00</published><updated>2006-03-13T11:20:26.546-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3535/1885/1600/broca.1.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3535/1885/320/broca.1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PRIMEIRA PESSOA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Note a “profundidade” dos versos abaixo, extraídos de duas músicas muito conhecidas:&lt;br /&gt;"Vou te enterrar na areia”;&lt;br /&gt;“Ilumina a mina escura e funda o trem da minha vida”.&lt;br /&gt;Posso dizer que a intenção não foi construir um trocadilho com os vocábulos “enterrar”, “funda” e “profundidade”, muito embora, evidentemente, eu não possa dar garantias ao leitor em relação a isso. E quem garante uma coisa dessas?! Autor nenhum traz o atestado de que uma das suas construções ambígüas ou panfletárias tenha natureza intencional ou acidental. É por isso que um poeta raramente tenta explicar a sua poesia. Ela está nos livros ou nos discos e ponto final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Renato Teixeira e a turma da Tati “Quebra Barraco” têm em comum o emprego do duplo sentido, um dos meios mais eficientes para se mergulhar (e fazer com que mergulhem) abaixo da linha do texto. Nada mais do que um meio, bem entendido! Uma ferramenta de escavação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No que se refere a tal recurso, como, para mim, é o caso de Renato Teixeira no verso de “Romaria” e seus mais fiéis ouvintes, pode-se produzir ou encontrar um valioso tesouro.  Mas o gosto e a bagagem cultural de quem dá a ferramenta (o autor) e daquele que faz o buraco (o leitor ou ouvinte) sempre têm um peso enorme no processo. Para algumas pessoas, há tesouros que não passam de uma canastra cheia de estrume.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CURTA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peço respeito ao duplo sentido! Inúmeros gênios de poesia e prosa já disseram bem dito algumas coisas mediante outras. “Funda”, por exemplo, é verbo e adjetivo no verso de Romaria. Observe que a mina é escura e funda, mas o “narrador” da letra também roga que Nossa Senhora “funde o trem” da sua vida. Isso é tão bonito, mas tão bonito, que nem precisamos saber se foi ou não uma criação acidental. O duplo sentido é um sofisticado expediente literário. Graças ao seu poder de penetração, lições profundamente significativas já foram dadas de modo claro e direto no mundo das artes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MAIS CURTA AINDA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão é a seguinte: enterrar-se na areia em busca de que?!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19109640-114219347905572881?l=historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/feeds/114219347905572881/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19109640&amp;postID=114219347905572881&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/114219347905572881'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/114219347905572881'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/2006/03/primeira-pessoa-note-profundidade-dos.html' title=''/><author><name>André Ferrer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19109640.post-114153728322134188</id><published>2006-03-05T02:38:00.000-03:00</published><updated>2006-03-05T02:41:23.220-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3535/1885/1600/Gerenciamento%20de%20res%3F%3Fduos.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3535/1885/400/Gerenciamento%20de%20res%3F%3Fduos.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19109640-114153728322134188?l=historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/feeds/114153728322134188/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19109640&amp;postID=114153728322134188&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/114153728322134188'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/114153728322134188'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/2006/03/blog-post.html' title=''/><author><name>André Ferrer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19109640.post-114151849510722547</id><published>2006-03-04T21:21:00.000-03:00</published><updated>2006-03-04T23:36:21.590-03:00</updated><title type='text'>PRIMEIRA PESSOA</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3535/1885/1600/capaVidasSecas.0.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 306px; CURSOR: hand; HEIGHT: 226px" height="243" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3535/1885/320/capaVidasSecas.0.jpg" width="306" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;por André Ferrer&lt;/strong&gt; - Neste princípio de ano, duas coisas, pelo menos, afastaram-me deste e dos outros canais em que atuo: a monografia da minha pós e o calor.&lt;br /&gt;Não gosto de calor. Fico disperso, exausto e irritado. Logo penso na teoria dos Trópicos Indolentes. Um arrependimento ancestral sobrevém. Eu reajo. Frequentemente, um exagero de reação. Novos fardos erguidos nas costas. Pupilas enormes. Apoteose da supra-renal. Tudo pela total avacalhação daquilo que há de mais sedimentado na sócio-antropologia! O máximo, realmente, em termos de iconoclastia... Por algumas horas. Não mais do que isso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quantas vezes já ocorreu neste início de ano! Entre os princípios anátomo-patológicos da nefropatia diabética (tema da monografia), o estoicismo de William Faulkner diante do verão californiano e outra caixa de mate vazia, eu reajo, vou ao supermercado e me distraio. No caminho de volta, profundamente inspirado pela cidade comezinha, planejo uma nova crônica. "Ora, meu caro André. O tempo é uma convenção humana!" Esse blá-blá-blá autopiedoso e inócuo, chamado por alguns gaiatos de neurolinguística e por mim, de edulcorante. Mas reajo! Até o limite, é claro, que um ser amorenado, sazón correndo nas veias, pode suportar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CURTA -&lt;/strong&gt; Há escritores tão eloquentes, que a simplicidade monumental das suas palavras revela-nos uma idéia terrivelmente distorcida. Que o ato de escrever é simples. Que é tão fluente, na sua construção, como a fala corriqueira. E se um homem, muito à vontade na sua humanidade, é flagrado no ato quase divino de criar? Existe uma foto assim de Faulkner, peito nu, cadeira de palhinha, debruçado sobre o "qwerty" da sua máquina de escrever. Hemingway nos deixou O velho e o mar, Rubem Braga, Flor de maio, e Faulkner, uma foto desconcertante. Sempre que faz calor e a minha criatividade vai para um lugar mais fresco, seu despojamento me assalta. De matar quando isso acontece. A impaciência congela o mercúrio perto do 40. O tempo frio, mais do que nunca, parece um luxo lá de Gramado. Mal não faz! Mal não faz! Espera-se. À meia-luz do inverno registraremos o que a intensidade luminosa do verão deixou em nossas retinas. Enquanto não vem a boa estação, viramo-nos com o que possuimos no momento: rubor nas faces e "Ilex paraguariensis" na disposição.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;MAIS CURTA AINDA -&lt;/strong&gt; Depois das compras emergenciais, não é que o Bom Selvagem à casa retorna?! À varanda, para ser mais exato. Indiferente. Uma rede preguiçosa debaixo dele. Nas mãos, uma jarra de chá gelado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19109640-114151849510722547?l=historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/feeds/114151849510722547/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19109640&amp;postID=114151849510722547&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/114151849510722547'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/114151849510722547'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/2006/03/primeira-pessoa.html' title='PRIMEIRA PESSOA'/><author><name>André Ferrer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19109640.post-113907116659030707</id><published>2006-02-04T14:33:00.000-02:00</published><updated>2006-02-04T14:39:26.603-02:00</updated><title type='text'>Charge para uma semana radical</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3535/1885/1600/Boicote.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3535/1885/320/Boicote.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;por André Ferrer - &lt;/strong&gt;Alguns meses atrás, um jovem foi preso numa daquelas fronteiras do Oriente Médio com a chama da justiça divina enfiada na blusa. O locutor do telejornal chamou-o de “adolescente-bomba”, num tom espetaculoso, como se o nascimento de uma nova entidade midiática precisasse ser anunciada. Não pegou. Adolescente-bomba não constitui grande novidade em nenhum lugar do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Por falar nisso, a semana que definha incitou aquela velha história de “olho por olho, dente por dente”. Na Dinamarca, o jornal Jyllands-Posten publicou caricaturas de Maomé. Nos minaretes, cavernas e burcas, a revolta explodiu. O Islã fechou embaixadas, prendeu pessoas e pediu aos adeptos do santo profeta que ignorassem os produtos europeus. Ora! Como a economia globalizada veio mesmo para pesar, nós ocidentais - cristãos, democratas e prováveis vítimas do terror -, também não teríamos razões de sobra para boicotar a intolerância religiosa com nossos cartões de crédito?! Mas por onde começar se, de lá para cá, a oferta é tão restrita?! Os radicais do deserto, muito embora tenham nos deixado alguns séculos de bagagem cultural - na base, é claro, da cimitarra -, não exportam quase nada, hoje em dia, que não seja petróleo e fundamentalismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Daqui para lá, o caso é diferente. Muitos produtos ocidentais alegram milhões de consumidores islâmicos além do Tigre e aquém do Eufrates. Um tentação aos boicotadores locais ou espalhados mundo afora que, nos últimos dias, afirmaram-se mortalmente desonrados pela imprensa dinamarquesa, que não é fria, critica e é bem humorada. Motivo risível, de fato - literalmente risível -, por se tratar de caricaturas e charges! Até porque, nos tempos modernos, uma resposta como o boicote é no mínimo óbvia quando se tem oferta, procura e necessidade de consumo além da conta. Após Copenhague, a União Européia em peso vivenciou o caso. A ITN. A BBC de Londres. O “Le Monde” na França... O assunto, enfim, ganhou espaço nos principais veículos de comunicação do Ocidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Boicotar o “croissant” e o Carrefour?! Grande novidade! Faz tempo que os intolerantes do Oriente Médio boicotam artigos genuinamente franceses e ocidentais como a Igualdade, a Liberdade e a Fraternidade! E nós? Boicotamos o quê? A dança do ventre? O Habib’s? A tradição dos mascates?! Sim! Eu agora me lembrei de Simbad, o marujo, na Sessão da Tarde... que, com alguma reserva, eu assistia nos anos 80! Aliás, na minha infância - com o entrevero Irã-Iraque em curso -, também não via com bons olhos os aiatolás do Jornal Nacional, o amante de Gabriela e as expressões algébricas do colégio. Astrolábio? Que utilidade teria um instrumento de navegação trazido por criaturas ingovernáveis?! Tudo bem. Na juventude, todos nós radicalizamos um pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Foi-se, a semana. Ficou o vazio. Nossas possibilidades de boicote são mínimas, de fato, mas nem tudo está perdido! Pelo menos uma coisa deles nós, brasileiros, boicotamos com alguma regularidade nos últimos anos: o petróleo. Nosso carro é a álcool, temos a Petrobrás ou, simplesmente, não possuímos carro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19109640-113907116659030707?l=historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/feeds/113907116659030707/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19109640&amp;postID=113907116659030707&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/113907116659030707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/113907116659030707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/2006/02/charge-para-uma-semana-radical.html' title='Charge para uma semana radical'/><author><name>André Ferrer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19109640.post-113652200477940806</id><published>2006-01-06T02:22:00.000-02:00</published><updated>2006-01-06T03:03:06.020-02:00</updated><title type='text'>PRIMEIRA PESSOA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Houve um período na história da humanidade em que não existia pinball. Depois da sua invenção, que aconteceu na Europa, mais especificamente na França (daí o seu primeiro nome, bagatelle) o lançador, a prancha, os furos, a bola e os pinos teriam que esperar muitos anos ainda pela companhia das palhetas (ou flippers) posicionadas em “v” diante de um grande e ameaçador buraco. Pelo “tilt”, então, nem se fala, que só foi inventado em 1934 por Harry Williams para evitar trapaças! A diversão, de fato, ganhou incontáveis características desde o seu aparecimento, ainda no século XIX, até as versões “imateriais” que rodam nos computadores de hoje. A verdade, entretanto, é que a sua essência continua sendo uma tábua cravejada de buracos, a força da gravidade, uma bola de metal e vários pinos. Resumida e visualmente, a evolução do pinball aconteceu mais ou menos assim:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3535/1885/1600/A%20evolu????o"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3535/1885/400/A%20evolu%3F%3F%3F%3Fo%20do%20pinball.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Tudo neste mundo tem uma essência identificadora. Um automóvel é um automóvel por causa de alguns poucos itens. Assim como o pinball (ou bagatelle), o conto e o romance também possuem uma essência que os caracteriza. No exemplo do automóvel, poderíamos citar inúmeras características como o espaço para os ocupantes, as quatro rodas, o chassi, a barra de direção, a capacidade de se “automover” graças a um motor, enfim, se resolvêssemos insistir mais e mais nessa enumeração, fatalmente cairíamos no vasto domínio de todos aqueles itens imprescindíveis para a evolução do automóvel, desde o Ford T até o último e ultramoderno BMW, mas que, nem por isso, estão no seleto rol dos itens essenciais. Que montadora teria coragem de apostar num lançamento sem injeção eletrônica, cd-player ou air-bag na atualidade? Quase impensável; até mesmo em relação àqueles modelos que ainda levam o adjetivo de “populares”; mas, por incrível que pareça, esses itens pouco importam na definição de automóvel. Tudo bem. Eles são diferenciais importantes. A marca irrefutável de uma evolução. Tudo bem! Eu não estou aqui para ser hipócrita. Longe de mim! Eu tampouco quero discutir filosofia, se a essência precede ou não a existência; o Sartre é o Sartre é o Sartre é o Sartre. Quero, na verdade, mostrar que a modificação de uma infinidade de acessórios não descaracteriza “a coisa”. Em todas as coisas há uma quantidade incalculável de possibilidades a ser explorada. O carro, o conto e a bagatelle podem muito bem evoluir através da criatividade dos seus aperfeiçoadores sem perder a sua essência.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Eu pesquisava um assunto na web, mas acabei tocado por outro. Foi a conta de digitar “máquinas de pinball” e acionar o “search” para que o desvio acontecesse; no topo dos resultados, Alexandre Cruz Almeida, o resenhista, Clarah Averbuck, a escritora, e uma tal de Escola Urbana que, de acordo com o autor do artigo, é formada pela maioria dos escritores “aparecidos” nos anos 90, como Clarah Averbock, Fernanda Young, Ferrez e Marcelo Mirisona, todos fazedores de uma literatura “umbiguista”, baseada em tédio, cansaço, preguiça e inércia. Além disso, há uma supervalorização da imagem do autor em relação à obra. Muitas tatuagens e poucas idéias. Averbuck tem um livro chamado “Máquina de pinball”, daí a minha pesquisa cair num artigo em que, desejando criticar um grupo, o autor nomeia esse grupo. Isso me lembrou Gertude Stein e o rótulo que a escritora expatriada colou na testa de Hemingway e Cia., mas esqueci tal comparação instantaneamente quando meus olhos bateram no ano do lançamento de “Máquina de pinball”: 2002. A pecha não colou (ou, pelo menos não causou estardalhaço) e, por isso mesmo, são mínimas as chances de que ela perdure como a “senhora designação” formulada por Stein ainda na década de 1920 (a qual, para quem não sabe ou não recorda, é Geração Perdida). Entretanto, essa fragilidade do termo empregado no artigo “A Escola Urbana: você já leu esse livro...” não desabona o raciocínio de Alexandre Cruz Almeida a respeito da nova safra de escritores brasileiros, em especial os contistas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Leia&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; os textos de Alexandre Cruz Almeida:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.sobresites.com/alexandrecruzalmeida/artigos/urbana1.htm"&gt;http://www.sobresites.com/alexandrecruzalmeida/artigos/urbana1.htm&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.sobresites.com/alexandrecruzalmeida/artigos/averbuck2.htm"&gt;http://www.sobresites.com/alexandrecruzalmeida/artigos/averbuck2.htm&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;CURTA&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Uma coisa que me dá nojo é o tal do micro-conto. Algumas palavras que constituem um aspecto, uma vinheta ou, quando muito, um fragmento de ação podem ser tanto uma crônica incompleta, um conto incompleto ou um capítulo incompleto de um romance como um novo gênero. A diferença fundamental entre a incompletude e a inovação é a dignidade dos argumentos com que o(s) inventor(es) do novo gênero defende(m) o seu filho. No caso do micro-conto, eu nunca vi nenhum dos seus praticantes defender com a mínima dignidade a absoluta falta de um elemento essencial do conto, tenha ele vinte palavras ou vinte páginas: um núcleo de ação ou ”plot” narrativo. Não há conto, micro, mini ou hiper-conto sem que haja pelo menos uma ação definida, com princípio, meio e fim. Se até mesmo entre os maiores experimentadores que já tivemos entre nossos contistas, como Osvald, Mário de Andrade e Alcântara Machado, a liberdade de criação teve limite, por que razão agora temos que aceitar esses fragmentos como conto ou, pior, como a última palavra em inovação literária?! Osvald, que reduziu a narrativa aos seus elementos mais simples, até mesmo divulgava a sua “fórmula de escrever”: ONDE, QUANDO, COMO e PORQUE. Nenhum dos modernistas, ao fazer a sua crítica às escolas rançosas através da subversão estilística dos gêneros, fez isso alterando elementos que não fossem meramente acessórios. Ninguém, por outro lado, inventou novos gêneros. Aos praticantes do conto atual, seja ele micro, mini ou hiper (nenhum desses rótulos, aliás, escapa de ser “megalo”!), eu só queria perguntar o seguinte: Onde estão os argumentos? Ora, se não há fundamentação, não existe a invenção de um novo gênero e tudo isso não passa de (co)modismo. Deixem disso! Escrevam histórias com começo, meio e fim. Nos intervalos desses três elementos essenciais, há muito espaço para a inovação.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;strong&gt;MAIS CURTA AINDA&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Quando digitei “Máquinas de pinball” e acionei o “search”, eu desejava obter informações que me ajudassem a construir uma figura para outro texto; não faz mal. Economia de metáforas é algo bastante saudável; além do mais, é o tipo de coisa que ajuda a reforçar o estilo de um homem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Leia mais&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; a respeito de bagatelles, escritores tatuados e arremedo de inovação em:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;A &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;i&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;NVERNADA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Periódico Bimestral de Literatura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disponível GRATUITAMENTE a partir de 15/01/2006 &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;no site mLopes eBooks &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;(Categoria PERIÓDICOS).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.ebooks.goldhosting.com.br/index.php"&gt;http://www.ebooks.goldhosting.com.br/index.php&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se você mesmo é um escritor que ainda não conseguiu escolher a tatuagem&lt;br /&gt;mais adequada para o seu estilo, busque inspiração&lt;br /&gt;nos modelos da nossa galeria!!!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19109640-113652200477940806?l=historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/feeds/113652200477940806/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19109640&amp;postID=113652200477940806&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/113652200477940806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/113652200477940806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/2006/01/primeira-pessoa.html' title='PRIMEIRA PESSOA'/><author><name>André Ferrer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19109640.post-113488891769532859</id><published>2005-12-18T04:45:00.000-02:00</published><updated>2005-12-18T04:59:23.520-02:00</updated><title type='text'>Periódico Bimestral de Literatura</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3535/1885/1600/Ketchun%203%20-%20Idaho.jpg"&gt;&lt;/a&gt; &lt;/p&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;A &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;i&lt;/span&gt;NVERNADA&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;ACESSE GRATUITAMENTE:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://www.ebooks.goldhosting.com.br/ebook.php?id=768"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;a href="http://www.ebooks.goldhosting.com.br/ebook.php?id=768"&gt;http://www.ebooks.goldhosting.com.br/ebook.php?id=768&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Contos, crônicas e poesias&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19109640-113488891769532859?l=historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/feeds/113488891769532859/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19109640&amp;postID=113488891769532859&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/113488891769532859'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/113488891769532859'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/2005/12/peridico-bimestral-de-literatura.html' title='Periódico Bimestral de Literatura'/><author><name>André Ferrer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19109640.post-113488785823710634</id><published>2005-12-18T04:34:00.000-02:00</published><updated>2005-12-21T01:06:24.796-02:00</updated><title type='text'>PRIMEIRA PESSOA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Vou fazer justiça aos tradutores. Essa gente esquecida. Nomezinhos em corpo minúsculo, trancafiados na folha-de-rosto. Seu trabalho não se reconhece: copia tudo em outra língua... E ponto final! O verdadeiro artista não é ele. Mas não é bem assim. Dois idiomas distintos dificilmente possuirão vocábulos com equivalência exata. Caso precise expressar uma idéia que, para tanto, basta uma única palavra na língua de origem, o tradutor poderá ter que achar uma expressão muitas vezes formada por várias palavras ou, até mesmo, por um parágrafo inteiro a fim de alcançar o mesmo efeito em outro idioma. Ao contrário do que se pensa, o tradutor cria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei assombrado quando li Ernest Hemingway traduzido por Monteiro Lobato. Em “Por quem os sinos dobram”, a concisão e a secura do escritor norte-americano foi tão bem captada e expressa pelo pai da Emília, que o estilo quase se traduz naquilo que mais perto já se chegou de Hemingway, com alguma dignidade, vale dizer, na Literatura do nosso país: Graciliano Ramos. Outra estupefação é o clássico de H. R. Haggard traduzido por Eça de Queirós! “As minas do rei Salomão” têm a elegância e a precisão dos mais bem trabalhados contos do português. Nada sobra. Nada falta. Bem diferente, uma pena, do que acontece em alguns dos seus romances, o que chega a ser gritante em “A cidade e as serras”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eça e Lobato são escritores, é claro, que se dedicaram à tradução. Existem, no entanto, aqueles inúmeros anônimos enclausurados logo abaixo de um título. Pior ainda! Há tradutores que nem na folha-de-rosto são mais lembrados! Um exemplo notável é o de São Jerônimo. Não! Ele não virou santo porque sobrevivia modestamente dos seus direitos de tradutor! Não. Não se trata disso. Mas ninguém se lembra dele pela sua grande proeza: traduzir aquela Torre de Babel que, nos primórdios do Cristianismo, formava os livros da Bíblia (Grego, Aramaico e tal!) para uma única língua, o Latim. Trabalho extenuante, pouco reconhecido, que consumiu vários anos de um homem vivendo numa condição para lá de austera. Ora, briga-se muito por questões religiosas atualmente, mas do velho tradutor poliglota ninguém se lembra! Sim! Às vezes, eu até fico pensando no seu sorriso irônico, lá do céu, achando completamente idiota uma dessas discussões entre os fanáticos daqui de baixo. O santo ri só de imaginar o motivo da briga: uma daquelas idéias em Grego, Aramaico e tal que, na falta de um equivalente latino, ele mesmo tratou de inventar.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CURTA&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O conto “Civilização”, de Eça de Queirós, apresenta a progressiva rendição de um homem urbano aos encantos e valores da roça. O personagem Jacinto de Tormes, vivente dos Campos Elísios, 202, Paris, tinha a sua vida como uma interminável consagração às novidades do novo século, que, no caso, era o XX, mas mudou de idéia num certo dia e correu para o interior do seu país de origem, Portugal. Eça quis contrapor a vida “domesticada” pela recém nascida tecnologia e a natureza indômita dos lugares afastados. Coeso. Exato. Acabado. E perfeito. Mas não sei por quais veleidades, Eça resolveu esticar o conto e transformou a obra-prima num romance chamado “A cidade e as serras”, uma monstruosidade. Sem o conto, arrisco (e admito), esse romance não me pareceria tanto com uma espécie de pão supercrescido! Questão de comparação. “A cidade e as serras” é mesmo um paradoxo do relativismo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;MAIS CURTA AINDA&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A tradução da Bíblia para o Latim, que era a língua do Império Romano, recebeu o nome de Vulgata por oferecer uma leitura um pouco mais acessível. A vulgarização ou, como queiram, “popularização” (ou, ainda, “democratização”) da Bíblia só se daria, no entanto, muito tempo depois, para além do manto negro da Idade Média, já no século XVIII, quando Martinho Lutero traduziu as Sagradas Escrituras para o idioma alemão. Dezenas de centenas de anos tiveram que correr a fim de que a Palavra de Deus deixasse de ser um bem exclusivo dos “doutores” da Igreja.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19109640-113488785823710634?l=historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/feeds/113488785823710634/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19109640&amp;postID=113488785823710634&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/113488785823710634'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/113488785823710634'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/2005/12/primeira-pessoa_18.html' title='PRIMEIRA PESSOA'/><author><name>André Ferrer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19109640.post-113488711245402626</id><published>2005-12-18T03:57:00.000-02:00</published><updated>2005-12-18T05:16:07.710-02:00</updated><title type='text'>TIA RACIONATA</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3535/1885/1600/bolinhas.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3535/1885/320/bolinhas.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tudo igual&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Racionata e Izabel estudaram juntas. Cada qual para o seu lado depois da escola normal, encontraram-se naquele ano.&lt;br /&gt;Tanto tempo depois, as duas trabalhavam no mesmo colégio! Como nos velhos tempos, dividiam, confabulavam e até para festas de casamento formavam dupla! Por isso mesmo, naquele final de manhã, só foi a conta de se avistarem no corredor para que a enorme confusão em andamento quase desaparecesse. Uma hecatombe, diante daquele encontro pleno de “minha linda”, “fofa” e equivalentes, não significaria mais do que o singelo trinado de um pardal nos jardins exteriores. Repentinamente invisível, o bedel passou entre as duas professoras. À entrada da diretoria, media forças com um aluno:&lt;br /&gt;– Fique quietinho e entre!&lt;br /&gt;– Seu Capistrano!&lt;br /&gt;– Entre e espere o diretor!&lt;br /&gt;– Mas ela não tem razão! Fica tudo igual! Fica tudo igual! – protestou Peixotinho, que além de invisível, a despeito da gritaria, também já era inaudível. Aliás, isso fazia um pouco mais de tempo: sua explicação, ainda na sala de aula, sequer fora ouvida pela intransigente Tia Iza!&lt;br /&gt;– Minha fofa! O teu vestido ficou muito lindo!&lt;br /&gt;– Não foi!&lt;br /&gt;– Vestido branco com bolinhas pretas é a minha paixão...&lt;br /&gt;– Preto Racionata. E as bolinhas é que são brancas!&lt;br /&gt;– Ah!&lt;br /&gt;– Sim! Você confundiu. Não faz mal. Não faz mal...&lt;br /&gt;– Izinha! – exclamou Racionata. – Estou enganada! Mas também! Aquele champanhe todo de ontem à noite!&lt;br /&gt;– Fica tranqüila! – respondeu Izabel. – O diretor! Ele vem aí! Vamos conversar com a criança.&lt;br /&gt;– Mas o quê houve?!&lt;br /&gt;– O Peixotinho...&lt;br /&gt;– Estranho!&lt;br /&gt;– Sim. Ele é tão disciplinado! Mas me chamou de idiota!&lt;br /&gt;– Nossa!&lt;br /&gt;O diretor: – Bom dia professoras!&lt;br /&gt;Ele passou, entrou na sua sala e fechou a porta.&lt;br /&gt;– Tenho que ir amiga...&lt;br /&gt;– Fique à vontade querida!&lt;br /&gt;No mesmo instante, o bedel saiu da sala. Foi logo mostrando as marcas vermelhas no antebraço.&lt;br /&gt;– Não é estranho seu Capistrano! Um menino tão educado!&lt;br /&gt;– E inteligente!&lt;br /&gt;– Sim. Muito!&lt;br /&gt;– Pena que hoje não conseguiu se expressar. Procurou a palavra certa, mas não teve tempo.&lt;br /&gt;– Como assim?!&lt;br /&gt;– Xingou. Não foi ouvido. Não teve tempo de explicar porque não queria grifar o capítulo do livro e xingou!&lt;br /&gt;– Não queria grifar?!&lt;br /&gt;– Sabe... Conversei com ele. Agora o Peixotinho está calmo.&lt;br /&gt;– Ah é!&lt;br /&gt;– Toda a confusão, professora, foi pelo seguinte motivo...&lt;br /&gt;– Diga.&lt;br /&gt;– A professora Izabel, segundo Peixotinho me disse, manda grifar um texto todo santo dia!&lt;br /&gt;– Que mal há nisso? Eu também mando!&lt;br /&gt;– Só que manda grifar o capítulo inteiro! Daí o menino, depois de quase seis meses matutando, resolveu questionar.&lt;br /&gt;– Jeito não! Jeito não! Seu Capistrano!&lt;br /&gt;– Mas como não encontrou a palavra certa, ficou irritado e xingou!&lt;br /&gt;– Jeito não! Ele merece um corretivo! Se é motivo pra xingar alguém de idiota!... Pois do contrário, aonde vamos parar seu Capistrano? Aonde?! Se um dos melhores alunos desencaminha!&lt;br /&gt;– É...&lt;br /&gt;– Sirva de exemplo! – disse Racionata.&lt;br /&gt;Lá dentro, Peixotinho recomeçou a gritar: – Fica tudo igual! Fica tudo igual! Fica tudo igual!&lt;br /&gt;O bedel chacoalhou a cabeça e foi buscar outro afazer. A professora, também já seguindo seu rumo, pensava uma vez mais na doce Iza e no seu belo vestido branco de bolinhas pretas ( Ou seria preto de bolinhas brancas?!). Pouco importava... Música, luz e líquidos borbulhantes! Tia Racionata se dispersava em devaneios. Pouco importava, naquele momento, se grifar cada uma das inúmeras palavras de um texto enorme era praticamente a mesma coisa que fazer um vestido de bolinhas pretas com um tecido... preto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;André Ferrer&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19109640-113488711245402626?l=historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/feeds/113488711245402626/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19109640&amp;postID=113488711245402626&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/113488711245402626'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/113488711245402626'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/2005/12/tia-racionata_18.html' title='TIA RACIONATA'/><author><name>André Ferrer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19109640.post-113488470152958933</id><published>2005-12-18T03:39:00.000-02:00</published><updated>2005-12-18T03:55:41.886-02:00</updated><title type='text'>HISTÓRIA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;A evolução dos botons&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:180%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:180%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:180%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:180%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;  Um amigo do seu amigo era metido a Borges ou Garcia Marques. Compunha contos fantásticos. Macondos plenos de bisavós aladas, metempsicoses e canastras de trancamento interno. A face oposta da Lua, segundo aquele amigo comum relatava, podia ser menos hermética do que os textos dessa espécie de Tolkien revisitado às pressas. Daí o amaciamento; a relutância dele em te mostrar a obra do tal contista. Até que resolveu. E começou a exposição da pior maneira possível, através de um conto muito mau escrito, que se intitulava: “O bolinho de chuva que reencarnou waffle”! Bastante risível. Mas agora, rendendo loas à nova história, o amigo comum estava de olho na remissão.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;br /&gt;  – Este é bom! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;  – Vejamos... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;  – A última era péssima! – o amigo comum respondeu. – Também com aquele título! Onde já se viu?! Mas este é bom! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;  – Vejamos... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;  “A Confraria dos botons” era sobre um príncipe destronado, elfos e botons. A parte dos botons, como você logo pode perceber, constituía uma tentativa frustrada de se criar algo novo. Mas era digna. Sim. Bem menos absurda e repetitiva do que a porção, digamos, “orelhas pontudas” do texto.&lt;br /&gt;  Botons encantados de Dublin. Foi a conta de você ler isso aí para se lembrar do IRA, do trevo e do Bono! As personagens forram os seus coletes de veludo verde, assim como seus chapéus de feltro verde, com esses brochesinhos vendidos numa espécie de pub irlandês antes de cair na batalha. Mas também existem botons espalhados pelo mundo! Nem todos, é claro, em mãos benéficas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;  A magia dos botons encantados é a seguinte: você toca bem no centro de um deles e é transportado para um “estado instantâneo de comunicação”! Quem também estiver “conectado” naquele determinado boton conversa com você a respeito de um certo tema pré-estabelecido pela estampa do boton “clicado”! Isso tudo, à primeira vista, lembrou a célebre biblioteca de Borges. No finalzinho da história, entretanto, (que não passava de duas páginas), você começou a pensar numa coisa bem mais concreta (ou, como queira, virtualmente concreta) que o Alef do poeta argentino. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;  – Não é bom?! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;  – Vejamos... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;  – Não é?! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;  Você já tinha terminado de ler. Disse as suas impressões. Ele protestou: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;  – Mas a parte dos botons, aquele mecanismo de formação de rede, nossa, é fantástico! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;  – Tanto não é magia, como já existe! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;  – Existe?! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;  – Chama-se Orkut. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;André Ferrer&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19109640-113488470152958933?l=historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/feeds/113488470152958933/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19109640&amp;postID=113488470152958933&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/113488470152958933'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/113488470152958933'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/2005/12/histria_18.html' title='HISTÓRIA'/><author><name>André Ferrer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19109640.post-113410653275381046</id><published>2005-12-09T03:30:00.000-02:00</published><updated>2005-12-09T03:40:40.466-02:00</updated><title type='text'>PRIMEIRA PESSOA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;O estudo profundo e sincero das palavras tem um valor libertário. Respeitar os vários significados que possui uma palavra é sempre um grande passo rumo ao fim das tendências discriminatórias. Há palavras, no entanto, que terminam estranhamente associadas a uma única das suas formas! Viram úteis ferramentas à serviço da preguiça mental e do fundamentalismo. Isso, é claro, segundo o grau de inculcação das massas e, o mais importante, as cores com que um grupo dominante tenha pintado esta ou aquela palavra. Em todo caso, é uma grande tristeza ver certas palavras assim engessadas, arbitrariamente apartadas de variações e nuanças. Culpa do maniqueísmo, que é burro, e de seus adeptos, que, incapazes de subverter o próprio pensamento, sempre trazem uma visão polarizada de tudo à sua volta, em nome de um ponto de vista fortemente inflexível. Para o maniqueísta, não há meio-tom nas cores do mundo! Daí o mau hábito de classificar as palavras em “positivas” e “negativas”.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;No final-de-semana passado, eu não pude atualizar esta página por causa de uma viagem a São Paulo, onde faço pós-graduação em Farmácia Magistral e Alopática. Manhã de sábado, dei um pulo à banca de jornal mais próxima e subverti o meu velho hábito de comprar um jornal ou uma revista com temática inespecífica. A edição 857 da revista Exame, direcionada para o mundo dos negócios, abordava, entre outras coisas, a enorme economia que algumas grandes empresas brasileiras conseguem graças à instalação do Linux em suas máquinas. As Casas Bahia, por exemplo, aparecem com uma economia de 6 milhões de dólares! Quatro páginas antes, no entanto, uma curiosa manchete já tinha chamado a minha atenção. “O novo grito de guerra de Gates” anunciava o seguinte: em vez de apenas vender seus programas de computador, o criador da Microsoft passa também a aluga-los através de outras empresas do ramo. É o império que contra-ataca. Mas o Linux, além de econômico, ainda é subversivo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propósito, a última edição de A iNVERNADA contém um texto meu que causou espécie. Trata-se do conto Olhos de mangá, que, de certa forma, subverte a subversão clássica e posiciona a novíssima geração de leitores e escritores da internet na vanguarda da resistência. Vanguarda esta, vale dizer, bem mais lúcida e menos maniqueísta que as anteriores. A tônica das lamentações assim se desenvolveu: “Como pode você, André Ferrer, passar um tremendo sabão na nossa respeitável iconografia subversiva?!” Não me abalaria, de fato, se o inconformismo viesse da parte daquele meu primo Toni, de Minas. Veio de alguns leitores. Eis um trecho do meu conto, disponível, na íntegra, no link abaixo relacionado: “Ainda somos hipócritas, está certo, mas um pouco menos que nossos pais udigrudis e, certamente, muito, mas muito menos que nossos avós Mariguelas!” Sinal dos tempos minha gente! Basta comparar as manchetes dos jornais e das revistas de hoje com os velhos capítulos da História! Todo e qualquer iluminista sempre termina a sua vida como déspota esclarecido. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Acesse A iNVERNADA: &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;a href="http://www.ebooks.goldhosting.com.br/ebook.php?id=768"&gt;http://www.ebooks.goldhosting.com.br/ebook.php?id=768&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CURTA&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Bill Gates era nerd, certo? Começou numa garagem, certo? A subversão começa mesmo nas garagens, exatamente como as bandas punks, os fanzines à mimeógrafo e os Lulas deste mundo. As bandas punks viram pop-stars! Não é mesmo?! Gravam discos repetitivos e se entopem de dinheiro. No lugar do mimeógrafo, grandes editoras movem suas máquinas: outro escritor combativo e inovador que se transforma em best-seller! É só o tempo de cair a Bastilha. Quem se ilude assim nos tempos de hoje?! O poder faz o seu trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;MAIS CURTA AINDA&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;A subversão só não é um bom negócio para quem está do outro lado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19109640-113410653275381046?l=historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/feeds/113410653275381046/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19109640&amp;postID=113410653275381046&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/113410653275381046'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/113410653275381046'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/2005/12/primeira-pessoa.html' title='PRIMEIRA PESSOA'/><author><name>André Ferrer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19109640.post-113410547892602243</id><published>2005-12-09T03:11:00.000-02:00</published><updated>2005-12-10T15:13:14.676-02:00</updated><title type='text'>TIA RACIONATA</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3535/1885/1600/Mafalda.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3535/1885/320/Mafalda.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;Mafalda&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vinte anos atrás, o governo abasteceu as bibliotecas escolares do nosso país. Tia Racionata foi convocada pela sua escola para classificar as obras recebidas. Várias professoras participaram. A mais radical entre as presentes começou a varredura com Bocage.&lt;br /&gt;– Amoral!&lt;br /&gt;– Concupiscente!&lt;br /&gt;– Eu apoio!&lt;br /&gt;Tia Racionata sugeriu a queima dos autores proscritos, mas Helena teve uma idéia menos “autoritária“: uma estante para os impróprios. – Aquela vermelha serve! Basta esvazia-la e transporta-la para os fundos; para perto daquela mesa!&lt;br /&gt;Como lecionava História, tinha certa antipatia por radicalismos.&lt;br /&gt;– Combinado – disse Racionata. – A bibliotecária poderá fiscalizar as retiradas da sua escrivaninha! Vamos, então, chamar o seu Capistrano?!&lt;br /&gt;Alguns minutos mais tarde, a estante vermelha se transformara na estante dos impróprios, devidamente confinada nos fundos da biblioteca pelo bedel.&lt;br /&gt;E assim prosseguiu a rigorosa classificação:&lt;br /&gt;– O mistério do cinco estrelas?&lt;br /&gt;– Verde.&lt;br /&gt;– O crime do padre Amaro?&lt;br /&gt;– Verde.&lt;br /&gt;– Mas tem blasfemia!&lt;br /&gt;– Vermelho.&lt;br /&gt;– Dom Casmurro?&lt;br /&gt;– Verde.&lt;br /&gt;– Mas e a Capitu?!&lt;br /&gt;– É sutil! É sutil!&lt;br /&gt;– Tudo bem: verde.&lt;br /&gt;– Caçadas de Pedrinho?&lt;br /&gt;– Verde.&lt;br /&gt;– A terra dos meninos pelados?&lt;br /&gt;– Vermelha.&lt;br /&gt;– Quadrinhos da Mafalda?&lt;br /&gt;– Verde.&lt;br /&gt;– Capitães de areia?&lt;br /&gt;– Vermelha.&lt;br /&gt;No fim da tarde, a estante dos impróprios ficou lotada. Seu Capistrano foi chamado mais uma vez: “Para maiores de 18 anos”. Logo após ter pregado a placa bem no alto, disse boa tarde a todos e saiu intrigado. Lá fora, no seu jeito resmungador de pensar, perguntava-se quem leria os tais livros proibidos naquela escola de 1° grau. Dois ou três marmanjões apenas, ele respondeu. Todos repetentes da sétima e oitava séries do período noturno, uma minoria que já tinha mais de dezoito anos. Em todo caso, eram desleixados. Jamais entravam na biblioteca! No interior, a última estante da “censura livre” permanecera quase vazia: dez ou vinte números da Reader's Digest, Monteiro Lobato, Coleção Vaga-lume, cinco álbuns do cartunista argentino Quino.&lt;br /&gt;– Essas historinhas me parecem ótimas! Alguém já leu?&lt;br /&gt;Nenhuma das professoras tinha lido, pouco importava. Os quadrinhos de uma garotinha com lacinho na cabeça não mereciam qualquer desaprovação.&lt;br /&gt;Tia Racionata contemplou a capa de um daqueles álbuns pela última vez e, antes de acomoda-lo na estante, declarou: – Muito meiguinha essa menininha!&lt;br /&gt;Sim Tia Racionata. A Mafalda é um personagem aparentemente meigo e infantil. Aparentemente.&lt;br /&gt;Muitos daqueles meninos e meninas aprenderam a pensar graças à Mafalda e ao descuido das ingênuas professoras. No início dos anos 90, um pouco mais crescidos, aqueles mesmos alunos pintaram as caras, invadiram as ruas e ajudaram a derrubar um presidente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19109640-113410547892602243?l=historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/feeds/113410547892602243/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19109640&amp;postID=113410547892602243&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/113410547892602243'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/113410547892602243'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/2005/12/tia-racionata.html' title='TIA RACIONATA'/><author><name>André Ferrer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19109640.post-113410491930846553</id><published>2005-12-09T03:03:00.000-02:00</published><updated>2005-12-09T03:08:39.320-02:00</updated><title type='text'>HISTÓRIA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;                                                                         Zé Mineiro&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Um dia desses, eu caminhava quando avistei um senhor de idade, imóvel, numa das esquinas do cruzamento da Dino Veiga com a Juvenal Mesquita, que observava os limites da cidade, a Sudoeste.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nem bem cheguei perto e uma idéia sobreveio; uma impressão, para ser exato.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu ainda estava diante do Educandário, a meio quarteirão, portanto, de alcança-lo, e uma dupla de suspeitas veio se juntar à impressão. Foi no exato momento em que notei certa cerimônia na forma como ele esquadrinhava as distâncias. Por sobre a praça Marechal Deodoro, a ferrovia e o Ribeirão das Antas, o homem parecia buscar o fascínio de a um só tempo estar livre e aprisionado; busca certeira, como bem conheço, se realizada nas proximidades ou ao pé das montanhas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando passei por ele, alcançando o trecho em declive mais acentuado da Dino Veiga (os duzentos metros entre a Matriz e a praça, lá embaixo, que vão dar na avenida), uma das minhas duas suspeitas foi confirmada: sim, o velho tramontava! E a outra, se o tal era mineiro, persistia suspeitíssima.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Todo mineiro tem a natureza de imaginar o que não vê, falei comigo. Devido ao relevo natal, ele pensa primeiro na vertical; é preciso antes ganhar altura, construir um arco, para só depois enxergar em plano.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tramontar, repeti baixinho, impulsionado pela memória.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Certa ocasião, tendo escutado uma velha música (para mim, particularmente emblemática), descobri que a tal palavra se prestava muito bem para expressar uma das imagens mais antigas que guardei de um familiar. Eu era criança, evidentemente, e, pela primeira vez na vida, assisti a um mineiro tramontar. Ele estava perto de uma janela e assoviava Felicidade de Lupicínio Rodrigues.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Lembrei-me, ainda, do banco azul, na casa do meu avô, seu Zé, e da janela da cozinha, que olhava para o quintal.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O mineiro (agora não tenho dúvidas) pensa de maneira peculiar e talvez, por isso, seja alvo de picuinhas. Forçado pelos altos e baixos da sua terra (boa metáfora, a propósito, da própria vida), ele desenvolve a capacidade de se abstrair apaixonadamente. Assim, tudo que dizem dele é incompleto. Uma impressão inexata do seu modo de pensar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Seu comedimento, por exemplo, jamais poderia ser uma marca de alguém que vivesse nas vastidões horizontais do planeta, enxergando tudo com extrema facilidade. Não, essa moderação, esse zelo, por muitos visto como avareza, é a maior virtude daqueles que nascem entre as montanhas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Do italiano “tramontare”, o verbo tramontar significa “passar além dos montes”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Há mineiros, no entanto, principalmente os mais velhos, que são capazes de transformar qualquer exíguo espaço, não importando se físico ou psicológico, em verdadeira planície. Treino. Questão de treino.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Lá fora, muito estreito e entulhado, o quintal da minha infância parece vasto e completamente livre sob os olhos do meu avô!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu já estava na Eurípedes Rodrigues. Olhei para trás e, lá em cima, o sujeito continuava impassível.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quanto ele julgaria doido um rapaz que lhe perguntasse a naturalidade? Assim, de repente, um desconhecido! Segui descendo, aproximei um passo do outro, logo alcançando a avenida. Jamais saberei se o tal senhor é mineiro, pensei comigo, ou, pelo menos, um dos vários descendentes que, como eu, nasceram e vivem na cidade. Mas que tramontava, tramontava!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;                                                                                                                                                   André Ferrer&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19109640-113410491930846553?l=historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/feeds/113410491930846553/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19109640&amp;postID=113410491930846553&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/113410491930846553'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/113410491930846553'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/2005/12/histria.html' title='HISTÓRIA'/><author><name>André Ferrer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19109640.post-113313065414471543</id><published>2005-11-28T02:45:00.000-02:00</published><updated>2005-11-27T20:52:41.216-02:00</updated><title type='text'>PRIMEIRA PESSOA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;A educação nua e crua sobre a realidade humana não costuma cair no gosto e na simpatia do povão mais do que a superstição, o fanatismo e a banalidade. Sendo assim, toda mensagem mais ou menos complexa deve obedecer aos rigorosos limites da leveza e da superficialidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis o lado bom do marketing e do entretenimento eletrônico: a educação popular em gotas homeopáticas; bem pianinho! Infelizmente, algo ainda sub-aproveitado neste país. Um exemplo atual é Dráuzio Varela, no Fantástico, ensinando a mulherada e os faunos a planejar o crescimento da família brasileira. Tarefa difícil, principalmente sem algum tipo de pretexto ou camuflagem poderosa o bastante para cativar as pessoas por alguns minutos. Ser professoral e profundo não daria bons resultados. Nunca deu! Só por causa da vacina, já quiseram matar Osvaldo Cruz! Alguém recorda?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por falar em mídia, dois canais de televisão foram condenados a fazer retratações; motivo: conteúdo preconceituoso exibido num daqueles programas religiosos da madrugada. Sejamos sinceros, os telecrentes não raro forçam a barra e caluniam tudo que consideram alheio. Da herança dos nossos negros, a Umbanda, o Candomblé e todos os santos ao Cardecismo. Do Santo Daime ao Buda. De Jaques Demolay ao Acendedor dos Sete Candeeiros. Tudo enxovalhado pelos arrebanhadores de acríticos; incansáveis e sistemáticos no seu esforço de distorcer a nossa diversidade cultural e racial, rara e admirada no mundo inteiro! Sobremaneira louvável e importante a decisão da justiça em benefício das vítimas desse grande preconceito. Chega de impunidade àqueles que incitam as massas por meio de princípios discriminatórios! Os mesmos que, diariamente, fazem nascer os homens-bomba.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CURTA&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Daniela Mercury foi vetada na última hora para o show de Natal do Vaticano. Ela defendeu e propagandeou a camisinha (e com muito louvor!) em plena praça Castro Alves lotada. Foi na campanha contra a Aids, no carnaval baiano passado. Para Bento XVI, o Papa, defender a saúde das pessoas é um erro! “Só Para Bento XVI!”, vale repetir, que, pelo jeito, não conhece os brasileiros e livrou a “sua” praça do amor de Julieta e Romeu, que é igualzinho ao meu, o seu, e o dos outros homens de boa vontade desde que o mundo é mundo amém. Estou enganado ou o marketing da Santa Igreja pós-Voitila tem um quê do Santo Inquérito?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moral da história: “À Praça de São Pedro só vai mesmo quem já morreu!”&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;MAIS CURTA AINDA&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Uma frase de Toni Descrença, meu primo de Minas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Todo agnóstico é um crente que, graças ao bom Deus, adquiriu a justa noção do ridículo.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19109640-113313065414471543?l=historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/feeds/113313065414471543/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19109640&amp;postID=113313065414471543&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/113313065414471543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/113313065414471543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/2005/11/primeira-pessoa_27.html' title='PRIMEIRA PESSOA'/><author><name>André Ferrer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19109640.post-113312809418079390</id><published>2005-11-28T02:35:00.000-02:00</published><updated>2005-11-27T20:36:02.166-02:00</updated><title type='text'>TIA RACIONATA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3535/1885/1600/Sala%20de%20reda????o.2.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3535/1885/320/Sala%20de%20reda%3F%3F%3F%3Fo.2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;                                                                      Molho francês&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Era um daqueles encontros de professores. A fila estava grande no intervalo das 11:50. O &lt;em&gt;buffet &lt;/em&gt;numa ponta e as amigas na outra.&lt;br /&gt;– O quê você acha de Piaget?&lt;br /&gt;– Piaget?!&lt;br /&gt;Tia Racionata revirou as idéias.&lt;br /&gt;– Sim! Piaget – repetiu a outra, que, para Racionata, era uma tolinha recém-formada, na casa dos 24 anos, e passava a impressão de ser uma fã dessas frescuras. Uma &lt;em&gt;gourmet&lt;/em&gt; de butique! – Não gosta?&lt;br /&gt;– De comida francesa?! Não! Muita mistura! – respondeu Racionata para encerrar o assunto. Já estavam na cabeceira das saladas.&lt;br /&gt;– Jean Piaget! O pensador, pedagogo e professor francês!&lt;br /&gt;Vermelhinha, tia Racionata não deixou por menos: se não era molho, mas gente, lançaria mão da sua vasta erudição!&lt;br /&gt;– Minha filha. Eu dizia “comida” no sentido modernista, antropofágico, do termo!&lt;br /&gt;– Ah!&lt;br /&gt;Ela sempre escapa.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19109640-113312809418079390?l=historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/feeds/113312809418079390/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19109640&amp;postID=113312809418079390&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/113312809418079390'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/113312809418079390'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/2005/11/tia-racionata_27.html' title='TIA RACIONATA'/><author><name>André Ferrer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19109640.post-113312735270818568</id><published>2005-11-28T02:22:00.000-02:00</published><updated>2005-11-27T20:49:25.993-02:00</updated><title type='text'>HISTÓRIA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O pássaro de Joyce&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Já estudou naquele colégio. Correu pelo pátio, lá dentro, bem mais novo e inocente, eu sei. E gritava gol! no grande campo de areia. E molhava o agasalho branco e vinho. E chutava os restos do sucesso alheio ainda no ar, como que se apropriando dessa poeira tão rara e cadente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, eu sei, você implorava. E você resistia. E ficava querendo que a zeladora jamais tocasse o sinal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo lado de fora, bem mais velho e malicioso, você treme. Parece invadido. Quase faz coro com a molecada em tropel... A tempo! Calado. Como deve ser um adulto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você corre. Os muros do Santa Izabel no encalço. E atravessa a rua. Você foge para bem longe. Gol! E passando ao largo do Fórum, as batidas no chão de areia. Foi meu! Não, meu! Mas que goleiro mais pé-rapado! Como é mesmo um malicioso? Ou melhor: como deve ser um malicioso? Calado, basicamente calado, mais tarde, você arrisca, querendo dar por encerrados tanto a tristeza como o cansativo diálogo interior que, naquele fim de tarde, o passado viera incitar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Deve ser calado – resolvi então. Já estava em casa, tentando escrever um conto depois de um banho bem demorado. E prossegui, dialogando pela última vez comigo mesmo: – Pois não foi a inocência perdida que me fez travar o grito?! Não foi?! Ora, se não fosse a malícia, você correria, gritando gol! exatamente como a molecada no pátio do colégio. Exatamente como nós, vinte anos atrás!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na minha história, dois jovens também jogavam. Eram amigos em idade escolar, como a mim e meus amigos nos velhos tempos do Educandário; como aquele bando endoidecido que, passando pelo colégio, pude ouvir correr e gritar naquela tarde. A única diferença era o jogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procurei ser direto sem arruinar o indispensável caminho sinuoso da trama. Descrevi, assim, o modo cortês dos primeiros movimentos daquele jogo, a fria e calculada consideração com que os dois amigos sustentavam o fair-play inicial. Falei das regras. Falei das manhas. Dei a cada peça o seu lugar devido. Enfim, com minúcias, fui construindo a cena toda, plantando aqui e ali as estacas tão necessárias para que o desfecho da história fosse mesmo surpreendente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Bacaninha – fez Toni, meu primo de Minas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Uma gentileza vindo de você!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Inverossímil, mas bacana.&lt;br /&gt;A inverossimilhança, segundo ele depois explicou, estava no fato de que dois adolescentes dos dias de hoje jamais conseguiriam jogar e muito menos inventar um jogo como aquele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas deixa pra lá, esse invejoso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele fim de tarde, as sensações ao pé do muro escolar e a lembrança de uma leitura que fiz encorajaram-me a escrever. Impulsionado pelos ruídos juvenis, percebi que um trecho de Joyce (não do Ulisses, não do Finnegans, ou de qualquer um dos contos dublinenses – todos, vale dizer, lidos avidamente pelo Toni, meu primo de Minas –, mas do Retrato do artista quando jovem, único livro do mestre irlandês que possuo) retratava perfeitamente o momento. Foi assim, então, que decidi criar um jogo para meus personagens: diga um sentimento e o trecho correspondente de um livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Nostalgia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– E o texto?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Não se anime! Já vou dizer: “O ar da tarde estava desmaiado e frio, e depois de cada carga e golpe surdo dos jogadores, a bola de couro ensebado voava como um pássaro pesado através da claridade acinzentada.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O leitor do meu conto, evidentemente, pensava uma coisa e descobria outra. Enquanto descrevia os primeiros lances, eu deixava falsas pegadas, induzia o leitor a pensar e acreditar no óbvio: futebol. Por isso Toni, meu primo de Minas, que leu James Joyce com a idade tenra de quinze anos (idade esta, vale dizer, na qual alcançou o valioso verbete GERAÇÃO PERDI&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;DA na Monumental Enciclopédia da Cultura Edificante), fez duras críticas ao telefone, dois dias após, tendo encontrado meu texto na sua caixa postal eletrônica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que aquele papo de inverossimilhança bateu forte por alguns dias. Logo, porém, revisei o meu conto e a resposta daquela pergunta, Como deve ser um malicioso? (obtida, vale dizer, em pleno gozo de preencher a brancura desafiadora de algumas laudas com a história dos dois amigos), retornou-me tão clara como água limpa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Gol!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Você gritou gol! quando terminou de escrever a sua história inverossímil André?! – disparou Toni, ontem à noite, ao telefone, quando novamente tocamos no assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem dúvia alguma, meu primo de Minas é o tipo da pessoa que jamais entenderá o poder rejuvenecedor de algumas folhas em branco. No lugar de histórias, escreve teses como aquela, intitulada A “mineiridade” na ocupação dos rincões sulistas do início do século XX, que me enviou no início deste ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro exemplo: não conheço mais ninguém que tenha lido dois livros de Nabokov. Todo mundo ficou no Lolita. Ninguém, como Toni, chegou a ponto de devorar Fala memória! e Mary no intervalo de um mês e alguns dias! Pobre homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;                                                                                                                                                   André Ferrer&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Texto publicado no periódico eletrônico A iNVERNADA, disponível em&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.ebooks.goldhosting.com.br/ebook.php?id=768"&gt;http://www.ebooks.goldhosting.com.br/ebook.php?id=768&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19109640-113312735270818568?l=historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/feeds/113312735270818568/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19109640&amp;postID=113312735270818568&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/113312735270818568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/113312735270818568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/2005/11/histria_27.html' title='HISTÓRIA'/><author><name>André Ferrer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19109640.post-113250833685987652</id><published>2005-11-20T21:40:00.000-02:00</published><updated>2005-11-20T15:38:56.866-02:00</updated><title type='text'>PRIMEIRA PESSOA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Escrever sob encomenda é uma tarefa árdua. Com prazo de entrega reduzido e escassez de espaço, então, a façanha costuma enlouquecer até mesmo famosos e experientes!&lt;br /&gt;Quando levo em consideração o depoimento de algum desses cobras da imprensa e a incompetência da escola brasileira em todos os seus níveis, sinto compaixão pelos vestibulandos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanta compaixão me fez relembrar uma entrevista de Ed Motta, em agosto de 2003, para a revista Playboy. A chamada de capa dizia: &lt;em&gt;“Fugiu da escola aos 13 anos e se deu bem”.&lt;/em&gt; Uma das torpedeadas do músico no sistema educacional deflagrou mais ou menos assim durante a entrevista: &lt;em&gt;“Um dia eu vi a professora com uma revista &lt;/em&gt;Amiga&lt;em&gt; enfiada na bolsa. Nessa época, eu já tinha visto mostra de Bruñel, do Fellini, do Visconti, do Pasolini, estava interessado no neo-realismo italiano e na nouvelle vague francesa. E a professora lendo&lt;/em&gt; Amiga&lt;em&gt;?! Vai me ensinar o quê?”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Há, sem dúvida alguma, certa apologia ao “estudar pra quê?!” neste país. Nossos heróis fogem da escola muito cedo na vida para brilhar nos palcos, no Real Madri e no Palácio do Planalto. Viram “o espelho” para milhões de adolescentes. Pior ainda: todos eles têm argumentos imbatíveis, que a própria escola teima em construir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CURTA&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Uma cidadezinha do interior, dos seus 29.000 habitantes,  recebeu, no último dia 15, a visita de um ilustre ministro petista. Como a dita localidade é governada pelo PT, a visita não teria nada de excepcional além, é claro, do fato de envolver um líder federal e um município pequeno. Estranho mesmo ( para lá de bizarro, eu diria) foi o silêncio. Não é que a visita só veio à baila no dia seguinte! Sequer a imprensa local sabia da efeméride. Curioso, pois, nesse tipo de cidade, costuma-se divulgar a vinda de duplas sertanejas praticamente desconhecidas com até seis meses de antecedência! Governo Municipal, isso tudo é orgulho do Governo Federal?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;MAIS CURTA AINDA&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Tas tolo negui’o!&lt;br /&gt;Caroço de vela é pavio!&lt;br /&gt;Petixco eu pexco na rede.&lt;br /&gt;Peg’o cocrodilim&lt;br /&gt;De parede!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Essa foi para o litoral de Santa Catarina.)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19109640-113250833685987652?l=historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/feeds/113250833685987652/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19109640&amp;postID=113250833685987652&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/113250833685987652'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/113250833685987652'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/2005/11/primeira-pessoa.html' title='PRIMEIRA PESSOA'/><author><name>André Ferrer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19109640.post-113236636301680708</id><published>2005-11-18T18:20:00.000-02:00</published><updated>2005-11-19T02:42:14.393-02:00</updated><title type='text'>Tia Racionata</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3535/1885/1600/magritte_mirror_str.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3535/1885/320/magritte_mirror_str.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Lembra-se, leitor amigo, daquela professora do primário, que utilizava cartazes a fim de estimular a nossa imaginação na hora de escrever? Havia cenas bucólicas, ilustrações inocentes, quadros carregados de moral elevada! Lembro-me até de um certo gatinho profundamente entretido com um novelo de lã! Muito bem, leitor amigo, a exemplo da nossa primitiva mestra, tia Racionata nos desafia e sugere uma figura desconcertante. Trata-se de um estímulo para todos nós e eu espero que os visitantes deste site, interessados em provocações de tal porte, produzam e remetam suas histórias curtas baseadas na figura sugerida. Os três primeiros textos a chegar no &lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:andferrer2@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;andferrer2@ibest.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt; , com 500 palavras no máximo, serão publicados e comentados pela mestra. Participem! Não vamos desperdiçar os valiosos conselhos da tia Racionata!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19109640-113236636301680708?l=historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/feeds/113236636301680708/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19109640&amp;postID=113236636301680708&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/113236636301680708'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/113236636301680708'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/2005/11/tia-racionata.html' title='Tia Racionata'/><author><name>André Ferrer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19109640.post-113236041639821422</id><published>2005-11-18T16:35:00.000-02:00</published><updated>2005-11-18T23:21:06.450-02:00</updated><title type='text'>História</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Divergências de locutorio&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;No térreo do 2636, cruzamento da Brasil com a 2700, há um chaveiro, uma farmácia e um locutorio. Aliás, nunca vi tantos locutorios numa só cidade como depois da bancarrota argentina. Em Camboriú, nossos mui amigos agora são proprietários num setor do qual eles mesmos, durante anos e anos, tão-somente foram fregueses, o negócio de manter quem quer que passe as férias no balneário a par da rotina deixada longe do mar azul. Desempregados e abatidos pelo corralito, eles imigraram aos bandos para Santa Catarina e, ao que tudo indica, investiram seus frangalhos nesses tais locutorios.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Aquele que fica no meu prédio, devo dizer, é de uma espécie diferenciada. Não se limita aos interurbanos e à venda de cartões telefônicos. O locutorio do Herrero, misto de ciber (sem café) e de locutorio mesmo, oferece quatro computadores e navegação a R$0,10 o minuto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Alguns domingos atrás, eu desci para enviar um e-mail, conferir minha caixa-postal eletrônica e acessar a Folha de São Paulo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Gosto das crônicas do Carlos Heitor Cony e ultimamente, por conta de um enfado perfeitamente compreensível em relação aos noticiários, achava que a compra do jornal impresso constituía um desperdício. Melhor acessar o texto, ler em poucos minutos aquela nesga da segunda página (que é gratuita para não-assinantes na Web) e diminuir o lixo doméstico.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Amigo! Que passa hoy? Que passa?!"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Habituado com permanências bem mais lucrativas, era natural que o argentino ficasse surpreso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu sempre fazia demoradas pesquisas ou mesmo gastava mais de uma hora digitando textos em alguma das suas máquinas; contudo, naquela tarde, como não era possível abrir a página desejada, mal completei os 20 minutos.&lt;br /&gt;Verifiquei, assim, que nenhuma mensagem havia chegado, enviei duas ou três palavras a uma colega e, justificando tanta presteza ao argentino, fechei o navegador.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Si, me gusta mucho las crônicas!", disse ele, todo empertigado atrás do balcão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Enquanto me levantava, tirava uma cédula de R$5,00 da carteira e me dirigia para lá, o homem abria e fechava o bandoneón. Quando peguei o troco, já estava farto de toda aquela erudição portenha.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sacudindo a nota de ombro a ombro, Herrero enumerava nomes e mais nomes de ilustres desconhecidos que atuavam, segundo ele, nos melhores periódicos da Bacia do Prata. Felizmente, pensei comigo, nada de Borges ou Cortazar!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Guardei as moedas no bolso, estalei os dedos e iniciei (é claro) com Machado de Assis. Depois passei por Stanislaw Ponte Preta, que me deu motivos de sobra para ser bem direto e sardônico, dizendo, numa conclusão brusca e impactante, como a escrita dos cronistas brasileiros extrai uma beleza perene de matérias tão transitórias e banais. Sequer precisei chegar a Fernando Sabino ou Rubem Braga para que o argentino compreendesse a dureza do páreo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Somos, sem dúvida, os reais inventores da crônica jornalística como gênero literário!", disse ainda, pouco antes de levar um truculento carrinho, porque se tratava, evidentemente, de um argentino.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Teimoso una mierda! No és verdad!", protestou Herrero, quando reclamei da sua falta de bom senso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ele ergueu o queixo, tirou as mãos da cintura e voltou a esticar o fole.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Comigo mesmo, sem gastar mais português (e, fatalmente, prolongar a contenda), repeti três vezes o palavrão (aquele, que faz rima com Batistuta), sorri (muito satisfeito) e fui à compra do meu jornal.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;André Ferrer&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19109640-113236041639821422?l=historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/feeds/113236041639821422/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19109640&amp;postID=113236041639821422&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/113236041639821422'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/113236041639821422'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/2005/11/histria.html' title='História'/><author><name>André Ferrer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19109640.post-113235926377469838</id><published>2005-11-18T16:16:00.000-02:00</published><updated>2005-11-19T02:40:54.223-02:00</updated><title type='text'>CRÔNICA DE APRESENTAÇÃO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;strong&gt;As histórias e os finais&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Ao redor das fogueiras imemoriais, diante dos palcos, no silêncio sagrado das bibliotecas: conhecer e transmitir histórias tem sido uma enorme fonte de prazer à disposição do homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode-se dizer que a possibilidade de narrar seja tão importante quanto qualquer uma das armas de que o ser humano dispõe para enfrentar a sua frágil condição neste mundo. Contar e ouvir histórias é essencialmente importante porque nos consola em face da triste certeza de que a vida de um homem só poderá se tornar uma história completa, com início, meio e fim, para outros homens e jamais para ele próprio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pier Paolo Pasolini costumava dizer que a vida de um homem é um filme que só pode ser montado quando ele morre. Semelhantemente ao cineasta italiano, Jean-Paul Sartre relacionou a completude de qualquer aventura à existência obrigatória de um final em um texto memorável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um belo dia, para seu espanto e tormento, o personagem de A náusea descobre que sua vida, mesmo naqueles lances mais exóticos e tumultuados, não apresentava sequer uma nesga de aventura. É o início de uma crise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Historiador, ele se achava numa velha cidade francesa onde vivera uma personalidade sobre a qual deveria escrever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir daquela constatação - e de uma série de outras que justificam o título do romance, bem como seu teor existencialista -, o atormentado biógrafo resolve parar de escrever sobre gente morta e inicia uma carreira de ficcionista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ele, como também para todos nós, seres humanos, a idéia de personagem serve para suavizar a terrível idéia de fim, tão necessária, por outro lado, à completude de uma história. A narrativa secciona a linha do tempo e nos presenteia com um início, um meio e um fim perfeitamente apreciáveis, o que nos liberta de uma sucessão indistinta e monótona de episódios - a nossa vida -, cujo além-desfecho, a não ser que nos encontremos artificialmente metidos na pele de um personagem, jamais teremos a chance de conhecer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;André Ferrer&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19109640-113235926377469838?l=historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/feeds/113235926377469838/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19109640&amp;postID=113235926377469838&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/113235926377469838'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19109640/posts/default/113235926377469838'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiascurtasdeandreferrer.blogspot.com/2005/11/crnica-de-apresentao.html' title='CRÔNICA DE APRESENTAÇÃO'/><author><name>André Ferrer</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
